Número de Matrículas da Educação Especial em Classes Comuns ou Classes Exclusivas, por tipo de deficiência.

SR Sala de Recursos Revista Observatório Dados e panoramas da Educação Especial no Brasil
Observatório SR Panoramas 2025 Tipo de Deficiência Tabela 1.58 · Censo Escolar 2025 Matrículas da Educação Especial por Tipo de Deficiência, TEA e Altas Habilidades/Superdotação — Brasil 2025 Fonte primária: INEP/MEC · Sinopse Estatística da Educação Básica 2025, Tabela 1.58 (dados agregados Brasil)
📊 Indicadores principais
52,8% TEA — 1.298.637 matrículas. Maior grupo da Ed. Especial pela primeira vez na história
43,9% Deficiência Intelectual — 1.080.107. Segundo grupo, ultrapassado pelo TEA em 2025
+319% Crescimento do TEA em 4 anos — de ~310 mil (2021) para 1,3 milhão (2025)
56.238 Altas Habilidades/Superdotação — dobrou vs 2021, mas ainda muito abaixo do esperado
📈 Distribuição por tipo de deficiência — Brasil 2025
Matrículas por tipo de condição — % sobre o total de 2.458.159 estudantes
Transtorno do Espectro Autista (TEA) 52,8% · 1.298.637
Deficiência Intelectual 43,9% · 1.080.107
Deficiência Física 6,9% · 170.050
Baixa Visão 3,7% · 91.936
Deficiência Múltipla 3,6% · 88.842
Altas Habilidades / Superdotação 2,3% · 56.238
Deficiência Auditiva 1,7% · 41.462
Surdez 0,74% · 18.301
Cegueira 0,27% · 6.646
Visão Monocular 0,14% · 3.408
Surdocegueira 0,02% · 439
📋 Tabela completa — por tipo de condição
Tipo de Condição Matrículas % do total
Transtorno do Espectro Autista (TEA) 1.298.637 52,8%
Deficiência Intelectual 1.080.107 43,9%
Deficiência Física 170.050 6,9%
Baixa Visão 91.936 3,7%
Deficiência Múltipla 88.842 3,6%
Altas Habilidades / Superdotação 56.238 2,3%
Deficiência Auditiva 41.462 1,7%
Surdez 18.301 0,74%
Cegueira 6.646 0,27%
Visão Monocular 3.408 0,14%
Surdocegueira 439 0,02%
Brasil — Total de Estudantes 2.458.159 100%
* A soma dos registros por tipo (2.856.066) supera o total de estudantes (2.458.159) porque um mesmo estudante pode ter mais de uma condição registrada simultaneamente. Os percentuais são calculados sobre o total de estudantes únicos. · Fonte: INEP/MEC — Sinopse Estatística 2025, Tabela 1.58.
✍ Análise SR Observatório
A tabela 1.58 registra um dado estrutural da Educação Especial brasileira em 2025: o Transtorno do Espectro Autista (TEA) é o maior grupo, com 1.298.637 matrículas — 52,8% do total. A Deficiência Intelectual aparece em segundo lugar com 1.080.107 (43,9%). Em 2021, o TEA representava 22,9% das matrículas — a inversão entre os dois grupos ocorreu em algum momento entre 2021 e 2025, mas os dados intermediários (2022, 2023, 2024) não foram analisados nesta edição do SR Observatório, o que impede precisar quando exatamente a mudança se consolidou. Os dados de 2022, 2023 e 2024 estão sendo processados pelo SR Observatório e serão publicados em edições subsequentes. Em 2021, o TEA representava 22,9% das matrículas. Em 2025, chegou a 52,8%. Em quatro anos, cresceu 319% em números absolutos — de aproximadamente 310 mil para 1,3 milhão. Nenhum outro grupo da Educação Especial cresceu nessa magnitude em qualquer período registrado pelo Censo Escolar brasileiro. Esse crescimento resulta de três fatores combinados: a expansão real dos diagnósticos de TEA, impulsionada pela maior conscientização das famílias e pela ampliação do acesso a avaliações; a melhoria nos sistemas de registro do Censo Escolar; e o efeito da Lei Berenice Piana (Lei nº 12.764/2012) e da Lei Brasileira de Inclusão (Lei nº 13.146/2015), que garantiram direitos escolares específicos às pessoas com TEA e criaram incentivo para o registro formal. O resultado é que o sistema educacional brasileiro agora precisa responder a um perfil de demanda radicalmente diferente do que existia há uma década — e a formação docente, os materiais pedagógicos e as práticas de AEE ainda estão em processo de adaptação a essa nova realidade. As Altas Habilidades/Superdotação chegaram a 56.238 matrículas — crescimento de 107% em relação a 2021 (27.158), expressivo em termos relativos mas ainda muito aquém do potencial. Com 2,3% do total da Educação Especial e uma prevalência esperada de 3% a 5% da população escolar, o Brasil deveria ter entre 1,4 e 2,3 milhões de estudantes com AH/SD identificados. A subidentificação persiste como o paradoxo mais silencioso do sistema — mesmo com o avanço normativo do Projeto de Lei nº 1.049/2026, aprovado pelo Senado. Um dado que merece atenção específica é o da Surdocegueira: apenas 439 matrículas em todo o Brasil. Trata-se de uma condição de alta complexidade — a pessoa com surdocegueira apresenta perda combinada de visão e audição, exigindo abordagens pedagógicas altamente especializadas como o método Tadoma e a comunicação tátil. O número pode refletir a raridade real da condição, mas também pode indicar subidentificação: profissionais sem formação específica tendem a registrar separadamente a cegueira e a surdez, sem reconhecer a combinação como surdocegueira — o que invisibiliza o estudante e impede o acesso ao suporte adequado. O SR Observatório acompanhará esse indicador nas edições de 2022 a 2024 para verificar se há tendência de crescimento após a maior qualificação dos registros do Censo. Fonte primária: INSTITUTO NACIONAL DE ESTUDOS E PESQUISAS EDUCACIONAIS ANÍSIO TEIXEIRA. Sinopse Estatística da Educação Básica 2025. Brasília: Inep, 2026. Disponível em: <https://www.gov.br/inep/pt-br/acesso-a-informacao/dados-abertos/sinopses-estatisticas/educacao-basica>. Acesso em: 23 jul. 2026.
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