
Liane Martins Collares, gaúcha de Bagé, tem 58 anos e uma história de superação e sucesso que encantam. Dentre medalhas de competições esportivas internacionais a prêmios de teatro, Liane não para. Com família presente e incentivadora, que acredita na autonomia e na potencialidade, Liane cresceu repleta de pertencimento e sua obstinação a tem levado a muitas conquistas. Escritora, palestrante, atriz, aluna. Uma mulher de sorriso fácil, comunicativa e vaidosa. Atualmente Liane estuda inglês. Liane tem Síndrome de Down. Liane é uma mulher como todas.
SR: Dentre tantas qualidades, como a Liane se define nesse momento?
Liane Martins Collares: Sou uma pessoa dedicada, com o espírito de vencedora e que não desiste para alcançar meus objetivos, na luta pela inclusão da pessoa com deficiência na escola regular, no mercado de trabalho e na sociedade, sempre com o entusiasmo de que vamos alcançar esse objetivo.
SR: Quais as estratégias que foram utilizadas por seus pais para que você estudasse em classes comuns de escolas regulares?
Liane Martins Collares: A maior estratégia foi o incentivo da família. Embora as dificuldades daqueles tempos, em que a Síndrome de Down era chamada de “mongolismo”, meus pais sempre buscaram uma escola regular e conseguiram minha matrícula no Jardim de Infância Menino Jesus, em 1969, sob a direção da saudosa professora Marianinha Nogueira Lopes, que me aceitou e onde comecei minha alfabetização, aos meus 6 anos. E, conclui a 8ª série numa escola regular, a Escola Minas Gerais, aqui em Brasília, coordenada pela Professora Regina Célia, em 1995, tendo sido escolhida a oradora na formatura das 4 turmas da escola.
SR: Como surgiu a ideia do livro: Liane, mulher como todas, e qual a abordagem principal?
Liane Martins Collares: O livro surgiu de um trabalho cotidiano de registros de minhas atividades, em casa, na escola, nas competições de natação, no teatro e, principalmente, no convívio na família e sociedade, tendo na abordagem mostrar a todos que somos capazes, desde que nos deem as mesmas oportunidades.
SR: Qual a importância do trabalho para a sua vida pessoal e em sociedade?
Liane Martins Collares: O trabalho é importante na nossa vida e foi super importante na minha vida, onde demonstrei minhas capacidades, independentemente de ser uma pessoa com Síndrome de Down, tendo convivido com harmonia e dedicação, tanto na Sociedade Cruz de Malta, uma creche para crianças de até 5 anos, onde trabalhei por 9 anos; no Governo do DF, na Secretaria da Mulher e Direitos Humanos, por 2 anos; e no Superior Tribunal de Justiça-STJ, onde trabalhei por 4 anos, de 2010/2014, todos com carteira profissional assinada.
SR: Você também é nadadora e participou da olimpíada para pessoas com deficiência intelectual, conhecida como Special Olympics que aconteceu em Minneapolis/ EUA. Nos conte como o esporte entrou na sua vida? Como foi essa experiência em competição internacional? Que medalhas ganhou? E em qual modalidade?
Liane Martins Collares: Desde meus 10 anos comecei a participar da natação e, ajudada pela minha mãe, essa atividade entrou na minha vida e, a partir dos meus 15 anos comecei a competir em eventos nacionais e, em 1991, fui selecionada para participar da Special Olympics International, em Minneapolis/EEUU, onde ganhei 2 medalhas de ouro, nas modalidades de nado costas e nado livre.
A maior estratégia foi o incentivo da família. Embora as dificuldades daqueles tempos, em que a Síndrome de Down era chamada de “mongolismo”, meus pais sempre buscaram uma escola regular e conseguiram minha matrícula no Jardim de Infância Menino Jesus, em 1969, sob a direção da saudosa professora Marianinha Nogueira Lopes, que me aceitou e onde comecei minha alfabetização, aos meus 6 anos. E, conclui a 8ª série numa escola regular, a Escola Minas Gerais, aqui em Brasília, coordenada pela Professora Regina Célia, em 1995, tendo sido escolhida a oradora na formatura das 4 turmas da escola.
Liane Martins Collares: Desde meus 10 anos comecei a participar da natação e, ajudada pela minha mãe, essa atividade entrou na minha vida e, a partir dos meus 15 anos comecei a competir em eventos nacionais e, em 1991, fui selecionada para participar da Special Olympics International, em Minneapolis/EEUU, onde ganhei 2 medalhas de ouro, nas modalidades de nado costas e nado livre.
SR: Como foi ser premiada em um festival nacional de teatro e como foi atuar representando um personagem tão forte?
Liane Martins Collares: O livro surgiu de um trabalho cotidiano de registros de minhas atividades, em casa, na escola, nas competições de natação, no teatro e, principalmente, no convívio na família e sociedade, tendo na abordagem mostrar a todos que somos capazes, desde que nos deem as mesmas oportunidades.
SR: Liane você tem uma trajetória de muitas atividades, como foi passar esse período de pandemia em que o isolamento social foi muito importante e impediu diversas atividades?
Liane Martins Collares: Foi muito pesaroso para todos nós, dificultando as atividades de nosso cotidiano.
SR: Você tem sido um exemplo de superação e sucesso para toda sociedade. Suas experiências mostram a importância da inclusão na família, na escola, no esporte e no trabalho. Quais foram os principais incentivadores na sua vida?
Liane Martins Collares: Foi a minha família, principalmente pela dedicação de minha mãe, que se dedicou com muito amor e comprometimento, também, meu pai e demais familiares, nunca esmorecendo na dedicação.
SR: Quais projetos a Liane tem para o futuro?
Liane Martins Collares: Continuar acreditando e tendo sempre a coragem de enfrentar as dificuldades com dedicação para que a sociedade entenda a importância da inclusão social das pessoas com deficiência no mundo real.
SR: Que recado você deixaria para as pessoas com a Trissomia do 21?
Liane Martins Collares: Meu recado é de que sejamos otimistas, enfrentando as dificuldades sempre pensando em chegar lá, lembrando a mensagem da sábia lição:
“Não coloque limites nos seus sonhos, coloque fé”.
Com um beijo da Liane!!!

Acreditar que a diferença é apenas cromossômica. Todo o resto é normalidade. Um sonoro viva a todas as Lianes!