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A POESIA DE ADÉLIA PRADO EM SALA DE AULA: DELEITE, FRUIÇÃO LETRAMENTO LITERÁRIO E INCLUSÃO

Audiodescrição: Ray Oliveira
Locução – Lunna Mara

Ana Valéria da Cruz Barboza: Graduada em Letras/Espanhol e suas respectivas literaturas, pela Universidade de Pernambuco – Campus Mata Norte. Atua como docente na rede Municipal de Passira desde 2014, ministrando aulas de Língua Portuguesa. Pós granduanda em Educação especial com ênfase em práticas inclusivas.

http://lattes.cnpq.br/8864023651033834

 


A POESIA DE ADÉLIA PRADO EM SALA DE AULA:

DELEITE, FRUIÇÃO LETRAMENTO LITERÁRIOS E INCLUSÃO

1.RESUMO

A literatura é capaz de levar o ser humano a outro mundo, sem mesmo tirar seus pés do chão. Ela humaniza, inclui, traz prazer e é capaz de modificar o ser humano, fazendo com que ele modifique tudo em sua volta. O presente artigo defende a ideia de que é possível efetuar o letramento literário de forma prazerosa e inclusiva, através da poesia de Adélia Prado.Percebe-se que em algumas aulas de literatura os docentes limitam-se apenas a decodificar e apresentar análises rasas de obras literárias, ou algumas vezes com trechos de linguagem rebuscadas para se trabalhar questões gramaticais, distanciando os alunos do prazer da literatura, promovendo sua visão negativa.

A proposta deste artigo é utilizar a poesia de Adélia, uma vez que a autora utiliza uma linguagem simples e aborda temáticas do cotidiano, fazendo com que os alunos, inclusive aqueles com alguma deficiência, se aproximem do texto e acabem se identificando em vários aspectos com a literatura. Para a discussão dos dados aplicou-se um questionário com duas turmas de 3º. ano do ensino médio em uma escola de rede pública do município de Passira-Pe, com o objetivo de propor uma oficina literária, no intuito de promover o deleite, a fruição e o letramento literário. A pesquisa está fundamentada teoricamente nos escritos de Candido (1989), Cosson (2006), Filipouski (2006), Pinheiro (2007) e Prado (1991). Por fim, com base nas respostas dos entrevistados e dos resultados obtidos na oficina, percebeu-se que para os referidos alunos a poesia de Adélia Prado contribui de forma positiva para o prazer na leitura, atingindo assim, resultados significativos.

PALAVRAS CHAVE: Leitura. Literatura. Deleite. Letramento literário. Adélia Prado.


2. INTRODUÇÃO

Não é segredo que algumas aulas de literatura tornaram-se uma prática constante de decodificação e análises rasas de obras literárias. Não-diferente disso, está o ensino da “rotulação por periodização”, ou seja, as obras são apresentadas aos alunos somente com o intuito de eles identificarem as características e o período estético ao qual estão vinculadas. Estamos diante de uma visão equivocada como é ou deve ser o ensino de literatura na escola. Este ensino mecanizado, que restringe a arte literária a períodos históricos ou padrões estéticos pré-estabelecidos, vem, gradualmente, perdendo graças às propostas metodológicas “impostas” pelos teóricos que debatem e propagam a promoção do letramento literário como uma maneira eficaz e pensante de ensinar literatura.

Os estudos relacionados à promoção do letramento literário na escola têm, a cada dia, tomado uma proporção significativa e relevante para as áreas que discutem essa temática. Todavia, há uma necessidade imprescindível de trabalhar o texto como o ponto cardeal para efetivar o processo de letramento crítico, pois o texto possui magnitude suficiente para levar o aluno além “da mera experiência do literário”.

Prado(1991), não só por ser consagrada uma das escritoras mais célebres da literatura brasileira, traz em suas produções poéticas uma versatilidade inenarrável de temas que prendem a atenção do sujeito leitor e, principalmente, fazê-lo refletir e se posicionar frente ao universo retratado em sua poesia. Diante disso, a realidade de promover um contato profícuo com o texto literário, por parte dos alunos, torna-se algo ainda mais permissível, uma vez que o texto deve ser visto com o ponto cardeal para ensinar literatura, como uma ferramenta de conhecimento e prazer.

Estamos diante de uma realidade alcançável porque a prática do letramento literário em sala de aula, além de formar leitores críticos, gera um olhar valorativo para as aulas de literatura, as quais são sempre banalizadas pelos alunos e taxadas como árduas e exaustivas. Uma vez tendo adotado o ensino de literatura com vistas ao letramento literário, essa situação pode ser convertida em momentos de deleite e fruição, beneficiando ambas as partes: educando e professor. Para isso, o docente apropria-se da poesia de Adélia Prado como uma ferramenta para levar o aluno além da experiência do mero literário. Mas, como suscitar o letramento literário em sala de aula, tendo em vista a falta de apreço que os alunos possuem pela leitura de textos?

O objetivo primordial deste artigo é demonstrar a possibilidade de suscitar o letramento literário em sala de aula a partir do trabalho com a poesia de Adélia Prado. Para alcançar tal objetivo, investigaremos a bibliografia básica sobre a temática, realizaremos oficinas didáticas semanais para leitura das poesias da autora referida, bem como promoveremos discussões sobre as poesias. Criaremos também o primeiro sarau de poesias de Adélia Prado para apresentar aos demais alunos da escola, além da sua vida e obra. A partir disso, realizaremos atividades de reescrita das poesias para a elaboração de um periódico com as produções dos alunos. As oficinas ocorrerão semanalmente visando trabalhar, durante o ano letivo de 2018, todas as poesias de Adélia Prado publicadas no livro “Poesias Reunidas”.

Ao término da leitura deste livro, será organizado um sarau para declamação e encenação das poesias lidas durante o ano, com o intuito de divulgar o trabalho da autora, sua vida e obra aos demais alunos da escola, proporcionando um contato proximal e lúdico com a literatura. Após a realização do sarau, haverá oficinas de reescrita das poesias de Adélia Prado, por parte dos alunos, com o intuito de produzir o periódico didático intitulado “poesias re-reunidas”.

Para a efetivação da pesquisa e o trabalho prático em sala de aula, foram elaborados e aplicados questionários acerca do nível de apreço pela literatura, da rotina de leitura, bem como das preferências dos alunos antes do desenvolvimento dos trabalhos e após a realização das atividades. Sendo possível, após essas etapas, realizar a análise de dados a fim de obtenção dos resultados concretos do estudo.

A pesquisa desencadeou-se o ano letivo de 2018. Foram escolhidas três turmas de 3º ano do Ensino Médio para que subordinarem ao processo, com vistas de corroborar a possibilidade de ensinar literatura diferente do trabalho tradicional que vem sendo realizado.O letramento literário foi reforçado, na prática, a partir da realização das etapas supracitadas, pois o envolvimento dos alunos em conhecer e viver a obra de Adélia Prado foi o ponto cardeal para resultados positivos e profícuos.

2. DESENVOLVIMENTO

2.1 OS VÁRIOS ESTILOS DE ADÉLIA PRADO

Este trabalho surgiu de observações realizadas nas aulas de língua portuguesa em uma escola do município de Passira, Zona da Mata de Pernambuco. Conforme pontuado a título introdutório, observa-se que o trabalho com o texto literário vem sendo realizado de maneira equivocada, fazendo com o que os alunos não encontrem no instante da leitura o deleite e a fruição proporcionados por tal texto.

Em virtude dessa necessidade de trabalhar a literatura por outro viés, vê-se no letramento literário uma maneira eficaz e pensante para converter a realidade do ensino de literatura na educação básica. A partir daí, apropria-se da poesia de Adélia Prado como uma ferramenta capaz de suscitar o que é proposto pelos teóricos do letramento literário para este ensino.

A poesia de Adélia Prado versa sobre vários estilos, aborda diversas temáticas e traz aos escritos nacionais uma linguagem acessível, proximal e cotidiana, facilitando a relação interativa entre leitor e texto. Sabendo-se que os alunos da educação básica não apresentam o apreço esperado pelos professores para a literatura, desenvolvemos esse projeto como uma real e significativa possibilidade de converter essa realidade.

O lírico, em sala de aula, não deve ser realizado para ocupar espaço nos momentos ociosos da aula, mas para possibilitar ao aluno contato direto e íntimo com a poesia, pois a escola é o único lugar em que ele tem contato com a poesia e com a literatura de maneira geral. A literatura é necessária e o aluno sente essa necessidade de manter contato com ela. Agora, a maneira como ela deve ser trabalhada requer um cuidado e uma atenção especial. A escola precisa ensinar o aluno explorar e encontrar no universo infindo de textos literários a necessidade constante de se tornar leitor, de se manter leitor e de viver como leitor.

Trabalhar a poesia de Adélia Prado com vistas ao letramento literário e a formação de leitores, sem perder a visão altruísta que a inclusão requer, é um inestimável bem que faz da prática docente uma das atividades humanas mais valiosas no processo de formação de conduta do indivíduo. Isso porque, o aluno leitor, que almeja está em sala de aula, necessita ser instigado pelo professor, precisar ser inserido neste universo de fantasia e conhecimento que só a literatura pode proporcionar. A prática do letramento literário é mais que uma metodologia de ensino, é um calço na formação educativa do discente enquanto sujeito social.

2.2 O LETRAMENTO LITERÁRIO E A SUA IMPORTÂNCIA NA EDUCAÇÃO BÁSICA.

Muitos teóricos debatem e propagam a promoção do letramento literário como uma maneira eficaz e pensante de ensinar literatura. Isso porque “há uma necessidade de se ir além da simples leitura do texto literário quando se deseja promover o letramento literário.” (COSSON, 2006, p.26). Ou seja, a superficialidade da leitura do texto literário não é eficaz quando se deseja promover o letramento literário no âmbito escolar. Pois o trabalho com a literatura, além de ser minucioso, deve estar relacionado à promoção do desenvolvimento da criticidade dos discentes A proposta do letramento literário consiste na formação de um leitor que consiga ultrapassar o plano da decodificação dos textos, que seja autônomo, operante e que, quando de posse das obras e no instante mesmo da leitura, assume outros posicionamentos. Cosson(2006) ressalta: 

Ser leitor de literatura na escola é mais do que fruir um livro de ficção ou se deliciar com as palavras exatas da poesia. É também posicionar-se diante da obra literária, identificando e questionando protocolos de leitura, afirmando ou retificando valores culturais, elaborando e expandindo sentidos. Esse aprendizado crítico da leitura literária, que não se faz sem o encontro pessoal com o texto enquanto princípio de toda experiência estética, é o que temos denominado aqui de letramento literário.

No ato da leitura literária, o leitor possui total autonomia para questionar, justificar e, sobretudo, posicionar-se diante da obra literária. A leitura literária, com vistas à promoção do letramento literário, nada mais é do que um ato de operação sobre o texto e não somente um instante de experiência estética. E para promover esse letramento literário, Cosson afirma: “devemos compreender que o letramento literário é uma prática social e, como tal, responsabilidade da escola”(2006, p. 23). A escola só precisa pôr em prática o reconhecimento que ela já tem desse caráter operante da literatura e, mais que isso, de sua função humanizadora.

Pois a escola é, geralmente, o único lugar onde o aluno entra em contato com a leitura. Diante disso, cabe ao docente compreender quão imprescindível é proporcionar aos alunos a manipulação de literários, cotidianamente, no recinto escolar. Sobre isso, Candido (1989, p.122) destaca:

A literatura corresponde a uma necessidade universal que deve ser satisfeita sob pena de mutilar a personalidade, porque pelo fato de dar forma aos sentidos e à visão do mundo ela nos organiza, nos liberta do caos e portanto nos humaniza. Negar a fruição da literatura é mutilar a nossa humanidade

A humanização, a que se refere Antonio Candido, proporciona ao aluno, no ato da leitura, reconhecimento de sua personalidade, tanto com alguns personagens quanto com o contexto geral da trama. Diante disso, de acordo com esse processo, a humanização pode ser positiva ou negativa, dependendo do nível de experiência estética que se obteve com a obra. É quase impossível sair ileso da leitura de um texto literário, quando esta é realizada de um modo profundo e fruidor. Não obstante, ainda que esta leitura seja menos complexa, em especial no caso de pessoas com deficiência intelectual, ela produz efeitos inegavelmente positivos. Para humanizar o educando, o trabalho com o gênero lírico é comprovadamente eficaz, além de ajudar a suscitar o letramento em sala de aula, porque (cf. PAZ, 1982, p.15)

A poesia é conhecimento, salvação, poder, abandono. Operação capaz de transformar o mundo, a atividade poética é revolucionária por natureza; exercício espiritual é um método de libertação interior. A poesia revela este mundo; cria outro. […] Inspiração, respiração exercício muscular.[…]

Diante disso, verifica-se o caráter operante da poesia no processo de humanização do leitor. Uma vez que, por dizer em poucas palavras, consegue revelar ao leitor outra ótica de mundo, fazendo-o transformar e agir sobre este. Para Filipousk(2006, p.338):

A poesia é uma das formas mais radicais que a educação pode oferecer de exercício de liberdade através da leitura, de oportunidade de crescimento e problematização das relações entre pares e de compreensão do contexto onde interagem.

Vale ressaltar que para que o processo de letramento seja efetivado é fundamental a presença de um professor leitor. Conforme Pinheiro(2007, p.26):

Se um professor não é capaz de se emocionar com uma imagem, com uma descrição, com o ritmo de um determinado poema, dificilmente revelará na prática, que poesia vale a pena, que a experiência simbólica condensada naquelas palavras são essências em sua vida.

Além da eficácia da poesia por si mesma, é necessário que o professor apresente-se um condutor apto para mostrar aos alunos que a prática da leitura de poesia, ou de qualquer texto de caráter literário, vale apena por revelar através das palavras a essência e sentido da vida.

Bamburguer(1982, p.10):

Está claro que a personalidade do professor e particularmente, seus hábitos de leitura são importantíssimos para desenvolver os interesses e hábitos de leitura nas crianças, sua própria educação também contribui de forma essencial para a influência que ele exerce.

 

Com isso, verifica-se que, através da poesia, o letramento literário é efetivado e não somente através dela, mas também pela participação ativa de professores leitores. O texto de Adélia Prado possui toda magnitude e todas as características pontuadas pelos teóricos acima para efetivação desse trabalho didático com a literatura. É de suma importância para uma boa prática pedagógica reconhecer o caráter operante da poesia em sala de aula. Cabe ao professor, mediar o processo de interação entre o texto e o leitor. Pois a leitura literária vai além de uma mera decodificação, a leitura literária é um passaporte para o conhecimento e a imersão num universo fantasioso é permitida. Como se vê na poesia de Prado, (2017. p. 113, 114):

Tempo

Por Adélia Prado

A mim que desde a infância venho vindo

como se o meu destino

fosse o exato destino de uma estrela

apelam incríveis coisas:

pintar as unhas, descobrir a nuca,

piscar os olhos, beber.

Tomo o nome de Deus num vão.

Descobri que a seu tempo

vão me chorar e esquecer.

Vinte anos mais vinte é o que tenho,

mulher ocidental que se fosse homem

amaria chamar-se Eliud Jonathan.

Neste exato momento do dia vinte de julho

de mil novecentos e setenta e seis,

o céu é bruma, está frio, estou feia,

acabo de receber um beijo pelo correio.

Quarenta anos: não quero faca nem queijo.

Quero a fome.

verifica-se que, através da poesia, o letramento literário é efetivado e não somente através dela, mas também pela participação ativa de professores leitores.

Ana Valéria

O VESTIDO

Por Adélia Prado

No armário do meu quarto escondo de tempo e traça

meu vestido estampado em fundo preto.

É de seda macia desenhada em campânulas vermelhas

à ponta de longas hastes delicadas.

Eu o quis com paixão e o vesti como um rito,

meu vestido de amante.

Ficou meu cheiro nele, meu sonho, meu corpo ido.

É só tocá-lo, volatiza-se a memória guardada:

eu estou no cinema e deixo que segurem minha mão.

De tempo e traça meu vestido me guarda.

Ao ler-se esses dois poemas de Adélia Prado, pode-se notar que a premissa é inegavelmente verdadeira: a simplicidade das suas produções em termos linguagem favorecendo a participação dos jovens com necessidades educacionais especiais, é claro, promovendo as adaptações necessárias e notar as temáticas mais utilizadas por ela, coisas do cotidiano, relacionadas à religiosidade. Adélia consegue fazer com que seus poemas venham ser explorados de forma única. Em um poema corriqueiro, ela consegue reavivar memórias antigas e também levar o leitor a refletir no tempo e o tempo. Promovendo consequentemente o contato proximal do ser com a literatura. E do deleite propriamente dito.

3. ANÁLISE E DISCUSSÃO DE DADOS

A investigação contou com a aplicação de um questionário em duas turmas do 3 ano do ensino médio, contendo 05 questões, sendo transformadas em gráficos e comentadas. Na primeira pergunta, o discente foi indagado se, de modo geral, ele gostava de ler . De acordo com suas respostas, foram levantadas algumas questões acerca da importância do ato de ler para aquisição de novos conhecimentos, enriquecimento do léxico, desenvolvimentos e aprimoramentos nas escritas e tantas outras novas explorações.

Observou-se que uma parte dos estudantes envolvidos nesta pesquisa optou por “sim”, totalizando um percentual de 38%. Outra Parte optou por “às vezes”, totalizando 34%. E a última parte optou por não, totalizando 28%. Em seguida, os estudantes notificaram qual o nível de relevância dado à leitura por parte da escola, podendo escolher “bom”, “ruim” ou “péssimo”. 

Notou-se, que embora alguns estudantes tenham dito, inicialmente, que não gostavam de ler, já leram poemas e alguns deles relataram a importância que essas leituras tiveram para eles.

Notou-se, que embora alguns estudantes tenham dito, inicialmente, que não gostavam de ler, já leram poemas e alguns deles relataram a importância que essas leituras tiveram para eles.

Conforme o gráfico exposto, 26% dos estudantes consideram que o nível de importância dado a leitura por parte da escola é bom. Já a maioria deles, totalizando 65%, consideram ruim e 9% consideram péssimo. Despertando assim, o desejo de criar algo que venha intervir e contribuir para melhorar essa situação. Subsequentemente, os estudantes demonstraram se em algum momento da vida deles eles já leram algum poema.

Conforme afirma o gráfico acima, 91% participaria de uma oficina de poesia, um valor altamente significativo. Eles possuem a vontade de ler, interpretar poemas e participar consequentemente de uma oficina de poemas. E 9% ficaram na dúvida, optando por talvez participarem. Portanto, notamos que esses alunos têm o desejo de ler, interpretar.

A última pergunta foi sobre um comentário relevante a respeito da literatura e o seu poder humanizador. E 86% deles optaram por “sim” e 14% nem concordaram, nem discordaram. Todos os momentos e poemas realizados na oficina, promoveram experiências incríveis. Mas esses dois poemas trouxeram experiências peculiares em ambas as turmas. Foi possível notar o deleite total e o impacto que os mesmos causaram.

Após o deleite fizemos uma roda de conversa, onde os alunos expuseram abertamente a descoberta do significado da literatura na vida deles. O quanto o poema, proporcionou o estado de reflexão e reativação de memórias antigas de momentos vivenciados por eles. Entenderam que momentos passam, conduto o poema permitiu-lhes voltarem ao tempo e revivessem esses momentos. Sem dúvida, isso foi muito gratificante.

O professor da turma informou que a literatura era trabalhada por pretexto. Usa-se o texto literário apenas para trabalhar questões gramaticais, não entrando no universo literário propriamente dito. Como já observamos anteriormente, as aulas de literatura têm sido muito desperdiçadas pelos professores, uma vez que é esse tempo que eles poderiam despertar os alunos para o ensino da literatura e sua interpretação. É necessário que nós, professores, incentivemos os nossos alunos a essa fruição a desfrutarem o prazer de ler literatura.

Percebemos também o próprio desinteresse dos professores em investir na literatura. É muito mais fácil para trabalharmos a gramática, cobrar exercícios e fazer os alunos trabalharem em prol do Enem. No entanto, a nossa missão é muito maior. Precisamos ensinar os alunos a pensar, a desenvolver o seu pensamento crítico, a descobrir a coisas por si mesmos. O ensino mecanicista muitas vezes é o que nos impulsionam. Trabalhar as escolas literárias, autores, obras é muito mais fácil. Já está tudo pronto. O grande problema de muitos dos professores é dedicar-se a também fruir a literatura, extrair dela, lições para a vida, reflexões. E é esse o grande desafio. Abrir uma obra literária e não apenas ler, mas procurar ler nas entrelinhas como fazemos na Universidade deve ser a nossa busca. Aprendemos nós, aprenderão também os alunos.

4. CONSIDERAÇÕES FINAIS

A última pergunta foi sobre um comentário relevante a respeito da literatura e o seu poder humanizador. E 86% deles optaram por “sim” e 14% nem concordaram, nem discordaram. Todos os momentos e poemas realizados na oficina, promoveram experiências incríveis. Mas esses dois poemas trouxeram experiências peculiares em ambas as turmas. Foi possível notar o deleite total e o impacto que os mesmos causaram.

Após o deleite fizemos uma roda de conversa, onde os alunos expuseram abertamente a descoberta do significado da literatura na vida deles. O quanto o poema, proporcionou o estado de reflexão e reativação de memórias antigas de momentos vivenciados por eles. Entenderam que momentos passam, conduto o poema permitiu-lhes voltarem ao tempo e revivessem esses momentos. Sem dúvida, isso foi muito gratificante.

O professor da turma informou que a literatura era trabalhada por pretexto. Usa-se o texto literário apenas para trabalhar questões gramaticais, não entrando no universo literário propriamente dito. Como já observamos anteriormente, as aulas de literatura têm sido muito desperdiçadas pelos professores, uma vez que é esse tempo que eles poderiam despertar os alunos para o ensino da literatura e sua interpretação. É necessário que nós, professores, incentivemos os nossos alunos a essa fruição a desfrutarem o prazer de ler literatura.

Percebemos também o próprio desinteresse dos professores em investir na literatura. É muito mais fácil para trabalharmos a gramática, cobrar exercícios e fazer os alunos trabalharem em prol do Enem. No entanto, a nossa missão é muito maior. Precisamos ensinar os alunos a pensar, a desenvolver o seu pensamento crítico, a descobrir a coisas por si mesmos. O ensino mecanicista muitas vezes é o que nos impulsionam. Trabalhar as escolas literárias, autores, obras é muito mais fácil. Já está tudo pronto. O grande problema de muitos dos professores é dedicar-se a também fruir a literatura, extrair dela, lições para a vida, reflexões. E é esse o grande desafio. Abrir uma obra literária e não apenas ler, mas procurar ler nas entrelinhas como fazemos na Universidade deve ser a nossa busca. Aprendemos nós, aprenderão também os alunos.

5. REFERÊNCIAS

BANBERGER, Richard. Poesia na Sala de Aula. 2ª Ed., João Pessoa:Ideia, 2002.

BARBOZA, Ana Valéria da Cruz. Artigo. A poesia de Adélia Prado em sala de aula: deleite, fruição e letramento literário. Pernambuco: Curso de licenciatura em Letras-Portugues-Espanhol da Universidade de Pernambuco, Campus Mata Norte, 2019.

CÂNDIDO, Antônio. Direitos humanos e literatura. In: A.C.R.Fester(org). Direitos humanos. Brasiliense, 1989.

COSSON, Rildo. Letramento Literário: teoria e prática. São Paulo: Contexto, 2006. 

COSSON, Rildo. Letramento Literário: teoria e prática. São Paulo: Contexto, 2009.

FILIPOUSKI, Ana Mariza Ribeiro “para formar leitores e combater a crise da leitura na escola: acesso à poesia como direito humano” In: Ciência e Letras: Revista da Faculdade Porto Alegrense de Educação, Ciência e Letras. Momentos da Poesia Brasileira – Dossiê Mário Quintana. Porto Alegre, n. 39, p. 332-338, jan/jun. (2006)

FREIRE, Paulo. Pedagogia da Autonomia. Saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e Terra, 1998. 

JAUSS, Hans Robert. O prazer estético e as experiências fundamentais da poiesis, aisthesis e katharsis. In LIMA, Luiz Costa (org). A literatura e o leitor: textos de estética da recepção. Trad. de Luiz Costa Lima. São Paulo: Paz e Terra, 1979.

PAZ, Octávio. O arco e a lira. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1982.

PINHEIRO, Hélder. Poesia na sala de aula. 3. ed. Campina Grande: Bagagem, 2007. 

PRADO, Adélia. Poesia Reunida. São Paulo: Siciliano, 1991. 

PRADO, Adélia. Poesia Reunida.. Rio de Janeiro: Record, 2017


COMO CITAR

BARBOZA, Ana Valéria da Cruz. A poesia de Adélia Prado em sala de Aula: deleite fruição, letramento e inclusão. In Sala de Recursos Revista, vol.3, n.2, p. 39-50, jul. – dez. 2022. Disponível em:<http://www.saladerecursos.com.br>.

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